Fisioterapia pélvica: para que serve, a partir de que idade e quando procurar

Fisioterapia pélvica: para que serve, a partir de que idade e quando procurar

Perda de urina ao tossir, no pós-parto, na menopausa ou depois da cirurgia de próstata não é algo a aceitar em silêncio. Entenda o que a fisioterapia pélvica trata, a partir de que idade fazer e quando procurar.

Fisioterapia pélvica: para que serve, a partir de que idade e quando procurar

Tem assunto que a gente só conversa com a gaveta fechada. Perder um pouquinho de urina quando espirra é um deles. A pessoa ri de uma piada boa e, no meio da risada, sente aquele aviso. Disfarça, vai ao banheiro, volta como se nada fosse. E segue a vida carregando um segredo que, na verdade, é de muita gente.

A gente aprende cedo que certas coisas do corpo são "normais da idade", "normais depois do parto", "normais depois da cirurgia". Normal, talvez. Obrigatório, não. Existe uma diferença enorme entre o que é comum e o que precisa ser aceito em silêncio.

No fundo da pelve existe um conjunto de músculos que ninguém apresenta pra gente: o assoalho pélvico. Ele funciona como uma rede que sustenta a bexiga, o intestino e, nas mulheres, o útero. É ele que segura a urina quando a gente tosse, pula ou levanta a sacola do mercado. Como qualquer músculo, enfraquece. E, como qualquer músculo, pode ser treinado.

É disso que cuida a fisioterapia pélvica. Não tem nada de misterioso: é avaliação, exercício e paciência. O fortalecimento do assoalho pélvico, aquele que muita gente conhece como exercícios de Kegel, é apontado pela Cochrane, a referência mundial em revisão de estudos de saúde, como a primeira linha de tratamento para a perda de urina ao fazer esforço. Antes do remédio. Antes da cirurgia. Antes da vergonha, de preferência.

A partir de que idade fazer fisioterapia pélvica?

A resposta honesta é: a partir do momento em que o corpo pede. O assoalho pélvico não tem aniversário marcado para dar problema. Ele acompanha a gente da infância à maturidade, e cada fase cobra a sua conta de um jeito.

Fase da vida Quando faz sentido procurar
Infância (a partir dos 5 anos) Escapes de dia, xixi na cama depois da idade esperada, urgência ou intestino preso. Para a Sociedade Internacional de Continência da Criança, a fisioterapia é a primeira opção de tratamento nesses casos.
Juventude e esporte Perda de urina ao correr, pular ou levantar peso. Mesmo jovens que nunca tiveram filhos apresentam escapes em esportes de alto impacto: num estudo com 156 atletas universitárias, com média de 20 anos, 28% relataram perda durante o treino.
Gestação e pós-parto Preparação para o parto e recuperação da musculatura depois dele, com ou sem sintomas.
Perimenopausa e menopausa (por volta dos 40 aos 55) A queda do estrogênio deixa os tecidos da região mais finos e menos elásticos. Estudos estimam que de 30% a 60% das mulheres têm incontinência urinária nessa fase.
Homens antes e depois de cirurgia de próstata Idealmente já antes da cirurgia, e de novo logo depois da retirada da sonda.
Maturidade Escapes ao tossir, urgência para urinar, levantar muitas vezes à noite. Nunca é tarde para treinar um músculo.

Se tivesse que resumir numa frase: qualquer perda de urina que muda a sua rotina já merece uma avaliação. Aos 8, aos 35 ou aos 70. Ninguém é jovem demais para cuidar disso, e ninguém é velho demais para treinar um músculo.

Em quais situações a fisioterapia pélvica é indicada

Quando a risada vem com aviso. Perder urina ao tossir, espirrar, correr ou pular tem nome: incontinência urinária de esforço. É a mais comum entre as mulheres e justamente aquela em que o treino do assoalho pélvico tem a evidência mais sólida. Muita mulher passa anos achando que é o preço de ter vivido. Não é.

Quando a vontade não espera. Tem gente que mapeia todos os banheiros do shopping antes de entrar. A urgência, aquela vontade que chega de repente e não dá tempo, também se trata. A fisioterapia reeduca a bexiga, que é menos teimosa do que parece.

Na gestação e no pós-parto. O corpo que carrega um bebê por nove meses merece ser cuidado antes e depois. A fisioterapia pélvica na gestação prepara a musculatura para o parto. No pós-parto, devolve a força que ficou pelo caminho e evita que um escape aparecido aos seis meses vire companhia para a vida toda.

Na perimenopausa e na menopausa. É a fase em que o corpo muda as regras sem pedir licença. O estrogênio cai, os tecidos ficam mais finos, e escapes que nunca existiram resolvem aparecer. A boa notícia é que o músculo continua respondendo. Fortalecer o assoalho pélvico melhora a continência e, de quebra, a vida sexual.

Nos homens, depois da cirurgia de próstata. Homem não costuma falar disso nem com o médico, quanto mais com o amigo. Mas a retirada da próstata deixa escapes no início, e a recuperação leva de semanas a meses. A fisioterapia pélvica masculina é o tratamento conservador de referência nesse período. Quem começa os exercícios antes da cirurgia e os retoma logo depois da retirada da sonda recupera o controle mais rápido.

E em silêncios menores. Sensação de peso na vagina, dor pélvica, dor na relação, intestino preso de anos. Coisas que a gente aprende a tolerar e que têm tratamento.

Como funciona o tratamento

A primeira consulta é mais conversa do que exercício. O fisioterapeuta quer saber quando os escapes acontecem, quanto você bebe de água, como é o seu dia. Depois avalia a força e a coordenação do assoalho pélvico. Muitas vezes pede um diário de quando e quanto se vai ao banheiro.

A partir daí, o centro de tudo é o exercício. E aqui mora uma surpresa: boa parte das pessoas que tentam fazer o Kegel sozinhas contrai o músculo errado. O fisioterapeuta ensina o caminho certo, às vezes com a ajuda de um biofeedback, um sensor que mostra numa tela se a contração está correta. Em alguns casos entram também a eletroestimulação e a reeducação da bexiga.

O resto é constância. Os exercícios vão para casa e viram rotina, como escovar os dentes. Os programas avaliados nos estudos costumam durar cerca de três meses. Não é mágica, é músculo. E músculo responde a quem aparece todo dia.

Enquanto o tratamento faz efeito, a vida continua

Três meses é tempo demais para ficar em casa. Ninguém deveria recusar o churrasco, a viagem ou o treino de sábado esperando o corpo terminar de se ajustar.

É para esse meio do caminho que existe a roupa íntima absorvente. A cueca absorvente e a calcinha absorvente VIVRA têm 6 camadas, tecido de bambu encostado na pele e foram feitas para escapes leves a moderados. Por fora, são roupa íntima de verdade. Por dentro, uma proteção que ninguém precisa saber que existe.

Elas não substituem a fisioterapia. Elas só garantem que, enquanto o tratamento trabalha, você continue sendo quem sempre foi.

Perguntas que a gente tem vergonha de fazer

Fisioterapia pélvica dói?

Em geral, não. A maior parte do tratamento são exercícios. A avaliação pode incluir um exame de toque, que é sempre explicado antes e só acontece com o seu consentimento.

Quantas sessões de fisioterapia pélvica são necessárias?

Depende da avaliação. Os programas estudados costumam durar cerca de três meses, com sessões semanais e exercícios diários em casa.

Homem pode fazer fisioterapia pélvica?

Pode e deve, principalmente antes e depois de uma cirurgia de próstata. Existe fisioterapeuta especializado em saúde pélvica masculina.

Quando começar a fisioterapia pélvica depois do parto?

Em geral depois da consulta de revisão do pós-parto, por volta de seis semanas, com liberação do médico. Se houver escapes antes disso, vale conversar com o obstetra.

Fazer Kegel sozinha resolve?

Ajuda, quando feito do jeito certo. O problema é que muita gente contrai o músculo errado. Uma avaliação com fisioterapeuta pélvico garante que o esforço vai para o lugar certo.

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Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico ou de um fisioterapeuta pélvico.

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